Falar de transição Energética não se resume apenas a geração de energia. O conceito estimula o repensar dos modelos de consumo, produção e reaproveitamento de recursos, conciliando o bem-estar socioeconômico, a proteção ambiental e a geração de modelos inovadores e tecnológicos.

Para tratar dessa discussão, o Comitê de Infraestrutura e Energia da Câmara Espanhola convidou especialistas para apresentar panoramas, desafios e ‘próximos passos’ no setor.

Para apresentar um panorama brasileiro de energia, Patrícia Nunes, assessora da Presidência da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) abre o evento apresentando o órgão que, dentro da esfera pública federal, é referência em estudos e análises da área de energia. Desde 1970, o Brasil apresenta um aumento no consumo de energia – majoritariamente elétrica – tendo os maiores consumidores os setores de transporte e indústria.

Neste cenário, o país se destaca pelo potencial de geração de energias renováveis, contabilizando uma geração de 48% em comparação a média mundial de 12-14%. Deste percentual brasileiro, identifica-se a origem via energia eólica, solar e biomassa da cana, uma tendência para o futuro, o que Patrícia identifica como um cenário de vantagem competitiva em relação a potências como União Europeia, Estados Unidos e China.

Apesar dos resultados positivos, a assessora menciona os desafios desbalanceados entre a crescente demanda de mercado com as restrições de emissão global e local de efeito estufa. A expectativa a longo prazo considera factível o resultado da participação de renováveis acima de 85% na capacidade instalada, desde que tenhamos a expansão da transmissão e a garantia de soluções e recursos tecnológicos que atendam e flexibilizam as operações: “não é uma virada de chave, é um processo”.

Segundo estudo da Agência Internacional de Energia (IEA), eletricidade limpa e eletrificação não basta para atender as expectativas até 2050 e a tecnologia deve atuar como protagonista junto ao desenvolvimento nas áreas de biocombustíveis avançados, hidrogênio de baixo carbono e captura de carbono. No Brasil, o assunto é transversal aos aspectos de infraestrutura e regulamentação, que possibilita o benefício das oportunidades sem ferir condutas legais ou regulatórias.

Conclui, defendendo o balanço entre segurança energética, proteção ambiental e desenvolvimento socioeconômico, que não exclui elementos como recursos hídricos, petróleo e gás, e menciona acordos envolvendo o BNDES, BID e CEBRI no trabalho sob os pilares de políticas públicas, tecnologia e mercado.

Sandro Yamamoto, Diretor Técnico da Abeólica – organização sem fins lucrativos que congrega o setor de energia eólica no Brasil – apresenta o positivo contexto mundial da fonte renovável no país: No final de 2020, o Brasil ficou em 7º lugar no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica, ocupando também o 3º lugar como país que mais instalou parques eólicos, ficando atrás apenas da China e Estados Unidos.

Com esta disponibilidade “abençoada” de vento no país, a energia eólica consegue ser a segunda maior fonte instalada de energia, promovendo abastecimento em cerca de 15-21% no Brasil e chegando a dispor entre 50-100% do fornecimento energético da região Nordeste, foco de concentração do recurso. O investimento 2020 foi de 4 bilhões de dólares e o cenário de energia eólica offshore continua atraindo grandes empresas que buscam oportunidades no mercado brasileiro.

Reforçando a fala de Patrícia, Sandro afirma que o caminho do crescimento requer investimento em novas tecnologias e expansão da transmissão, além da necessidade de grandes lotes de linhas para conexão dos parques eólicos. Conclui, mencionando que a retomada econômica, a ser vista nos próximos anos, precisa levar em conta as discussões ESG e a redução de impactos socioambientais.

Para falar sobre a energia solar no Brasil, Marcio Tranin, Vice-presidente do conselho administrativo da Absolar, instituição que reúne empresas do setor no cenário nacional e internacional, apresenta o modelo fotovoltaico como o mais previsível no fornecimento de energia sustentável.

“É bem simples, se tem sol tem energia” explica o VP, ao indicar que o potencial brasileiro até 2050 é de um crescimento exponencial, diferente do cenário “acanhado” atual, que representa apenas 2% da geração centralizada. Dentre os motivos, Márcio aponta o estresse nos preços dos equipamentos fotovoltaicos no mundo, além do recente investimento no país, que observou o primeiro leilão federal apenas em 2014.

A reversão desse cenário se dá pelo protagonismo da fonte solar no mercado, maior capacidade de transmissão e pelo planejamento do setor elétrico na geração renovável, uma demanda urgente dada o aumento no custo observado durante a crise econômica atual: “É uma questão de sobrevivência”, conclui Márcio.

Para encerrar o evento, Maurício Baez, Gerente de Desenvolvimento de Negócios e M&A para o Brasil e Colômbia da Acciona, apresenta a importância do envolvimento de empresas privadas na geração de energias sustentáveis, sendo a empresa a maior operadora de ativos de energia 100% renovável, com atuação em mais de 26 países.

Dentre os planos de atuação no Brasil, Maurício apresenta um portfólio com o potencial de 3GW de projetos a serem desenvolvidos nas diversas modalidades de energia, estratégia responsiva a um sólido plano de sustentabilidade da companhia. Em consonância a fala dos demais palestrantes, indica que o setor deve ser “acolhido” pelas regras regulatórias do país, levando em conta fatores como licenças ambientais, incentivos e pontos de conexão.

Em um cenário pós pandemia, a economia brasileira deve crescer lado a lado com o crescimento das energias renováveis, considerando principalmente a vulnerabilidade climática atual: “Descarbonização não é uma opção, é a única opção”, afirma Maurício.

Assista na íntegra:

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28/10/2021
09:00 às 10:45

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